
Quem tem medo do escuro?
Eu já tive, devo confessar, mas depois de um tempo, pude conhecê-lo melhor, ficamos amigos, confidentes.
"Deitada na cama, no auge da madrugada, apenas o breu da lua passando pela janela, pequeninos cristais prateados, iluminando minimamente o cobertor xadrez e parte da minha silhueta, abro e fecho meus olhos, e ainda nada vejo, tive de me acostumar com isso, levanto-me num pulo, procuro a cadeira da minha alva escrivaninha, sento-me e apalpo até encontrar o botão da luminária, abro a gavetinha e encontro meu caderno, pego minha caneta preferida e ponho-me a escrever, ou então a desenhar.
Noite interminável e sem sono, insônia. Algumas vezes, abro silenciosamente a janela, e ponho-me a observar as árvores tristes, escrevedo e ilustrando."
Essas são minhas doces madrugadas.
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