
O simples ato que virou uma mania, e, se estiver sem ele sinto um grande vazio, uma sensação de impotência.
Já me ocorreu uma vez em que escrevi dentro de um velório, não sei se foi ou não de mal gosto, porém, se me vejo sem meu diário e minha caneta sinto-me presa, onde não posso me expressar adequadamente.
Posso estar na rua, se eu vejo algo que me chame a atenção, pode ser um senhor servindo farelos de pão aos pombos, pode ser um casal enamorado, uma casa que me pareça inóspita, uma briga entre bêbados... qualquer coisa...
Agora, para qualquer um que se interessou pela minha suposta "observação" em que fiz a uns meses no velório, aqui está:
"Estava alí, perante todos, escorada na parede sebosa e amarelenta, com seu manto negro cobrindo parcialmente sua face pálida e de angulos finos, seu olhar gelado observava a todos os que se espremiam naquela sala quente e desarmoniosa, sorvendo todo o menor indício de alegria.
Dando até para sentir sua presença e sua eterna tristeza embutida.
E lá sentada no banco de ébano, estava eu, frente a frente com a também pálida, imóvel e de feição aparentemente serena, dando até a impressão de um sorriso no canto dos lábios finos e fortemente enrrugados, a minha querida tia avó.
Ao me despedir das figuras pálidas, deparei-me com ambas de mãos dadas em meio a uma multidão de corpos em profunda melancolia."
Pode não estar muito bem escrito, porém tem grande valor emocional...
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